19.3.07

Confidência...



Não me olhes dessa maneira que me dá vontade de te agarrar pela nuca e de te morder esses lábios pretensiosos de semideus.
Não me olhes do alto do teu pedestal comprado a sorrisos que matam, porque eu me sinto despida por esses olhos verdes que não são deste mundo.
Há tanta coisa que nos separa para além destas duas filas de secretárias, que a nossa vida daria uma volta vertiginosa se descobrissem que quando passas lá em casa o chão treme e as paredes gritam.
O nosso mundo é confidencial, e o dia só nasce para nós quando o sol se põe.
Sei que a tua vida se tornaria difícil se soubessem que os teus dedos conhecem com precisão geográfica cada centímetro da minha pele e cada curva do meu corpo, mas é este perigo eminente, este medo borbulhante que cada vez mais nos faz andar às escondidas como duas crianças para comerem o que tiraram do pote das bolachas.
Não me tortures mais, nem me provoques porque sabes que o teu olhar me queima e que a tua voz rouca e bem colocada me estremece qualquer coisa cá dentro que faz com que os meus joelhos cedam e que a minha visão se turve.
E tu sabes o efeito que tens em mim, e mesmo assim gostas de me ver sofrer e morder os lábios para aguentar a vontade de atirar com a cadeira e de agarrar aqui mesmo.
Mas sabes que eu me controlo e só consegues aguçar a minha vontade. Pois sabes que aqui eu me comporto e que as coisas só se alteram quando a porta se fecha e os nossos corpos se juntam numa massa quente e indefinida.
Mas o que tu não sabes é que eu estou completamente viciada em ti, e que passo os dias a contar os segundos até te ter de novo comigo longe de tudo e de todos. Não sabes que já não consigo viver sem ter o teu corpo na minha cama e sem ouvir a tua respiração acelerada voltar ao normal. Não sabes que me sinto menos eu quando vais embora e que adormeço a sorver o teu cheiro nas minhas mãos, só para te sentir mais perto outra vez.
Não sabes que estou aqui só por ti e por mais nada, só mesmo para te ver e chamar-te. Mesmo que seja por Sr. Professor.

22.1.07

Film Noir

Finalmente percebi a frase “ A curiosidade matou o gato.”. Não o matou literalmente, matou de angústia e tristeza porque descobriu o que não queria. Foi como eu.
Eu tenho a mania das surpresas. É estúpido e incoerente, mas tenho. Sou uma romântica.
Planejo as coisas na minha cabeça como um assalto ao banco, com minúcia e precisão. E para além de planejar todos os passos também profetizo mentalmente o que me vão dizer para mais uma vez ter roteiros de resposta. Numa linguagem mais banal e corriqueira isto chama-se “fazer filmes”. E é isso mesmo: Filmes e filmes, bobines complexas de um film noir qualquer, patético enfim…
A noite estava tão fria que eu só podia ter desconfiado que algo não iria correr bem.
Mas eu tinha que ter ido com isto para a frente, como sempre.
Saíste, e eu media os minutos para que tudo fosse perfeito. Eu a e a minha organização cronológica não podíamos falhar.
Agarrei nas coisas e saí uma hora depois de ti, como tinha decidido. Daria tempo de te envolveres no teu trabalho e nem te lembrares do que tinha ficado para trás, ou seja, eu.
Cheguei ao edifício, com o nervoso miudinho, não de medo mas de expectativa. E eram tantas as que eu tinha….
As coisas não andavam bem eu sei, tu não estavas presente o tempo suficiente para que os nossos laços tivessem ficado mais fortes, e eu não fazia nada para que ficasses mais tempo. Por isso a surpresa. Para veres que penso em ti mais do que aquelas duas horas diárias que passas lá em casa, e mais do que os sábados à noite quando não estás amarrado ao trabalho.
E subi as escadas do átrio a correr, porque queria chegar depressa até ti. Continuei a subir porque não conseguia esperar pelo elevador vagaroso e hesitante de andar em andar.
Subi quatro lances de escada sem que a minha respiração se acelerasse, e vi finalmente a porta onde te encontravas semi aberta, e a luz acesa. Não havia ninguém naquele andar, tinha confirmado os turnos, só tu lá estavas a tratar de um caso que era inadiável e urgente.
Cheguei-me perto e abri a porta cuidadosamente, não queria uma entrada triunfal, queria chegar calma e contida ao pé de ti, o que era suposto ser triunfal viria depois…
E foi aí que tu me surpreendeste a mim, a expert em surpresas.
Foi aí que o meu coração caiu ao chão e se fez em mil, quando te vi, em vez de amarrado ao trabalho, amarrado a outra qualquer. E nem deste pela minha presença até que estúpida e ironicamente a rolha da garrafa de Champagne Billecart – Salmon, que eu trazia, ter saltado ruidosamente devido à correria, e o conteúdo ter regado o escritório, como num baptismo. Sim, foi um baptismo do fim da minha cegueira.
Olharam-me como quem olha para um acidente de viação: com admiração, horror e pena.
Desci a escadas de vagar, agarrando o corrimão com força e raiva. Raiva de mim.
Hibernei durante três dias ignorando tudo: telefone, campainha, o ladrar do Xavier…
Mas renasci para a vida com um novo impulso. E sabes, meu amor, como eu sou perfeccionista nestas coisas. Ando aos poucos a planear a minha vingança, que vai ser tão exemplar que o teu queixo vai cair. Surprise, surprise!!!
Ando a tratar de tudo com uma calma abismal, ando a limpar as minhas armas. E quando o tiro te acertar em cheio vai saber-me tão bem…
Vai ser a concretização e o desfeche perfeito do nosso próprio film noir.

21.1.07

More than Perfect

Since the beginning I knew that you were special. I thought that you were funny, whit your “kid who doesn’t want to grow up” attitude inside a fully grown man body. And it was your Peter Pan complex and my old obsession with maturity that approached us. I thought that you never took anything serious and you thought that I took things too seriously.
Everything happened to quickly, and even if we wanted couldn’t be other way.
I discovered, and I discover each day, something new and astounding about you. I discovered that you are capable not only to take me serious but to take yourself serious.
And that was the beginning of the most perfect relationship that I had and that I will ever have in my life.
It was a surprise to identify your other side: cautious, protector, sweet, kind…
I love this that we have, this that is only ours and that I’m sure, and I know you are too, that is perfect.
The way o look at me, the way you take care of me, that you embrace me when I sleep, the way you love me, how you hold up to me... everything is in the exact manner to be more than perfect.
You were one of the only persons that could understand the meaning of my long silences, and realize the moments when the best thing you could do for me was to walk away. And you always knew the best manner to come back, in silence, without questions…
Because you know that after all things that can happen, I am here for you with open arms, and you are always and forever welcome in my life.
And after all this, after all this that you signify to me, after all you did whit and for me, all this peace and serenity that you bring into my life, after all this…. Explain to me how can I risk all this, how can I be falling in love with someone else.
Please try to explain this to me, because I can’t understand. Explain and help me, because what is happening is something I don’t want, but for more that I try there are things stronger than myself.

5.1.07

Cavalo de Tróia

Eu pensei que fosses feita de outra matéria. De outra matéria que não este barro sujo, mundano, vulgar...
Quando olhei para ti a primeira vez parecias-me transparente, brilhante, e de uma leveza subtil capaz de parar o tempo e os pensamentos mais absurdos.
E foi por isso que te segui. Porque me davas a promessa de uma visão diferente, uma visão diferente de todas estas coisas tão supérfulas e um conhecimento mais verdadeiro desta matéria de que somos feitos, de que tu és feita e de tudo o que nos rodeia.
E desde esse dia ficaste na minha cabeça tal e qual um Cavalo de Tróia, silencioso, contido, espectante... Até eu baixar as defesas e então, invadiste tudo o que eu era, destruindo, calcando até restarem só ruinas.
Mas, minha querida, eu tenho uma novidade para ti: eu sou mais forte. E agora que já me passou a raiva e a vontade de te agarrar pelos pulsos e de te abanar até desmoronares e te transformares numa formiguinha prestes a ser pisada mais por hábito do que por vontade, tu já não passas de uma gargalhada. És só uma imagem enevoada, uma recordação difusa... E a certeza de que o coração também se engana.

1.12.06

Dedicatória

Porque a música é viciante, porque esta é linda, porque esta é em honra das cantorias no carro, e que se lixem as lamechices, porque esta é " à nossa"! =)

Jason Mraz
I'm Yours

Well you done done me and you bet i felt it
I tried to be chill but you're so hot that i melted
I fell right through the cracks
And i'm trying to get back
Before the cool done run out
I'll be giving it my bestest
Nothin's going to stop me but devine intervention
I reckon its again my turn to win some or learn some

I won't hesitate no more
No more it cannot wait, i'm yours

Well open up your mind and see like me
Open up your plans and damn you're free
Look into your heart and you'll find love love love
Listen to the music of the moment maybe sing with me
Ah la peaceful melody
Its your godforsaken right to be loved love loved love love

So i won't hesitate no more
No more it cannot wait i'm sure
Theres no need to complicate
Our time is short
This is our fate, i'm yours

I been spending way too long checking my tongue in the mirror
And bendin over backwards just to try to see it clearer
My breath fogged up the glass
So i drew a new face and laughed
I guess what i'm sayin is there ain't no better reason
To rid yourself of vanity and just go with the seasons
Its what we aim to do
Our name is our virtue

I won't hesitate no more
No more it cannot wait i'm sure
Theres no need to complicate
Our time is short
It cannot wait, i'm yours

31.10.06

Como pequenos gomos de tangerina...

Sabes o que me tranquiliza no meio de todas estas coisas confusas que me rodeiam? É saber que posso sempre contar contigo, é saber tenho sempre o teu colo quando as coisas correm mal, e que te tenho a olhar por mim. Não são só as crianças que precisam de colo, é toda a gente. Eu e tu também.
O nosso à vontade com alguém só é total quando os silêncios são confortáveis, e os nossos silêncios são tão bons quanto as nossas conversas pela noite dentro, tanto quanto as chamadas de telemóvel que duram quatro horas e passam a voar.
Há dias em que estou rodeada de gente e sinto-me a pessoa mais só do mundo. Ás vezes apetece-me virar as costas a todas as conversas de circunstância que não têm mais nada de interessante para acrescentar à minha vida. É nesses dias que mais sinto a tua falta, apesar de estar contigo todos os dias.
Ter-te por perto torna os meus dias mais cheios. A tua companhia é das melhores que eu conheço.
Adoro as nossas brincadeiras, mesmo quando pareces voltar a ter cinco anos e me puxas os cabelos, deitas a língua de fora e me apertas o nariz. E depois és capaz de crescer de repente, quando eu preciso de encostar a cabeça ao teu peito e ficar assim um tempo, enquanto me acaricias o cabelo e dizes que vai ficar tudo bem.
És todos os homens perfeitos que eu precisava de ter na minha vida: um melhor amigo, um irmão mais velho e o homem com quem eu quero ficar para sempre.
O nosso mundo é perfeito mesmo com as suas imperfeições, de amuos e de birras que passam mas que durante minutos parecem querer corromper tudo de bom que já existe.
É bom ter-te comigo, e gosto de saborear isto que temos aos pouquinhos sem pressa, porque tenho medo que isto um dia acabe.
Quando estou deitada prestes a adormecer e quando estamos naquele ponto em que mil e uma imagens nos passam pela cabeça, as mais frequentes são aqueles nossos momentos de cumplicidade, aqueles momentos tão doces como pequenos gomos de tangerina. Aqueles momentos em que o teu olhar diz tudo o que as palavras só podiam atrapalhar
Agora que sei que te tenho comigo como um prolongamento de tudo o que sou e penso, que sei que a palavra nós ganhou um sentido completamente diferente, sei que mesmo que isto não seja para sempre, vai ficar para toda a vida comigo.

20.10.06

Mundo Cor-de-Rosa


Já alguma vez se levantaram às sete da manhã com uma energia colossal e com vontade de abraçar o mundo? Já alguma vez estiveram num estado de euforia tão profunda que qualquer aspecto da vida mundana vos dá vontade de sorrir?
Sinto-me assim nos últimos dias. Acordo feliz. E as coisas parecem melhores. Mais leves.
É engraçado como o nosso estado de espírito muda as perspectivas das coisas. Gosto muito mais de tudo o que me rodeia, e o mundo parece-me mais cor-de-rosa.
Apercebi-me de como é bom ficar sentada à beira rio de pernas estendidas e a apanhar sol, como é bom passar a tarde com os amigos sem fazer nada de produtivo, só a aproveitar a companhia de quem gostamos, de como não faz mal nenhum uma pequena dose de loucura.
Apetece-me dançar de olhos fechados sem me importar se estou a parecer ridícula aos olhos de alguém e mostrar o dedo a quem me contrarie. Apetece-me dançar: na rua, no autocarro, na mesa de reuniões…
Apetece-me estar contigo. De correr que nem louca só para estar ao pé de ti, só para te ter por perto nem que seja por cinco minutos.
Quero trazer-te para o meu mundo. Quero saber como é a tua pele molhada pela chuva.
Preciso de ouvir as tuas gargalhadas e de te olhar nos olhos só para te sentir mais próximo.
Quero ignorar todas as regras, e todas as vozes que me dizem que isto é errado. Quero tirar o som a todas as coisas exteriores que me querem convencer que por baixo desta pintura tão cor-de-rosa há um mundo sombrio.
O meu mundo sou eu que o pinto. A tinta permanente.