27.8.06

Moscas en la casa

Mis días sin ti son tan oscuros
Tan largos tan grises
Mis días sin ti
Mis días sin ti son tan absurdos
Tan agrios tan duros
Mis días sin ti
Mis días sin ti no tienen noches
Si alguna aparece
Es inútil dormir
Mis días sin ti son un derroche
Las horas no tienen principio, ni fin
Tan faltos de aire
Tan llenos de nada
Chatarra inservible
Basura en el suelo
Moscas en la casa
Mis días sin ti son cómo un cielo
Sin lunas plateadas
Ni rastros de sol
Mis días sin ti son sólo un eco
Que siempre repite
La misma canción
Pateando las piedras
Aún sigo esperando que vuelvas conmigo
Aún sigo buscando en las caras de ancianos
Pedazos de niño
Cazando motivos que me hagan creer
Que aún me encuentro con vida
Mordiendo mis uñas
Ahogándome en llanto
Extrañándote tanto
Mis días sin ti
Cómo duelen los días sin ti.

16.8.06

1001 Imagens

Já não sou nenhuma miúda. Embora as aparências iludam. Mas sinto que nos últimos tempos cresci imenso. Não é assim tão positivo. Por vezes as coisas ficam muitíssimo baças e confusas e eu tenho saudades. Muitas saudades do tempo em que tudo era fácil e podia ignorar o que se passava. Agora não. Não posso ignorar nada! Se o fizesse as coisas pendentes amontoavam-se e uma dor de cabeça transformar-se-ia num aneurisma prestes a rebentar como uma bomba relógio. Isto tudo faz como me sinta muitas vezes com oitenta anos… Exausta.
Não penses que ando a inventar desculpas. Não é verdade. Eu contigo não preciso nem consigo inventar desculpas.
Contigo sou inteiramente transparente. Nunca te menti e sabes disso.
Contigo ficava totalmente desarmada o que desencadeava uma sinceridade extrema.

- Nunca dizes que me amas…

E nunca disse. As palavras não tornam as coisas em factos. E mentir-te seria ferir-te.
Guardo para sempre 1001 imagens de algo que foi perfeito: a dança na praia, o meu quarto cheio de girassóis, os bilhetes no vidro do carro, a ida às grutas, o jantar em Sesimbra, a janela…
Escrever-te torna tudo mais fácil, se te fosse ver e falasse em voz alta não conseguiria acabar a primeira frase sequer.
Tenho chorado como nunca, mais que uma vez por dia.
Sinto a tua falta. Sinto a nossa falta. Sinto falta de tudo que tínhamos e ainda do que ficou por viver.
Tenho saudades de te ver chegar e da forma como te despedias quando tinhas que sair.
Desta última vez nem nos despedimos. Só um bilhete na almofada:

“Volto tarde. 1-12-14-19-5…”

Horas mais tarde o telefonema. Acho que voei até ao Amadora – Sintra. Em vão…
Ainda não consegui desfazer as malas acreditas?
Talvez nem seja preciso. Se calhar pego nelas e vou embora. É dificílimo para mim ficar aqui. Tropeço em ti a toda a hora.
Deixei tudo como estava: os livros, as roupas, até a toalha no chão da casa de banho.
Não quero perder as memórias que tenho de ti.
Não vais ler esta carta, mas precisava de abrir a comporta e deixar sair a corrente.
Sei que ainda vou chorar dias a fio… Não por tua causa, mas por minha que sem ti sou do tamanho de uma formiga.

8.8.06

Ausente

Ontem tive uma vontade avassaladora de estar contigo. De te ter por perto.
Ando a sofrer de uma especie de doença bipolar: ou tenho picos de felicidade porque sei que gostas de mim e o que temos é uma coisa maior e impossível de descrever, ou morro de angústia porque te sei longe, quase inatingível.
As coisas já não correm como de costume. E a tua falta faz-me mal. Não consigo que nada saia bem à primeira.
Ando muito introspectiva, a remexer o que vai cá dentro, tentando encontrar não sei o quê que me devolva à realidade que conhecia há uns meses atrás.
Não é fácil, sabias? Já nem as noites me salvam. Ou perco horas a folhear um livro, tentando a custo seguir a história. Ou escrevo-a eu, como agora, devorando cigarros nas horas vagas e infinitas.
Mas ontem foi pior. Não aguentava o sufoco de quatro paredes, tive que sair. E às quatro da manhã ainda vagueava na rua, procurando-te em cada esquina. Como sempre acabo na praia, um refúgio que é de outra realidade.
Voltei a casa em piloto automático. Já não me sentia em mim de tão cansada. Dormi quase um dia inteiro.
Quando acordei o vazio ainda lá estava. Não ia embora e não havia nada que o preenchesse que estivesse fisicamente ao meu alcance.
Viver assim afecta-me profundamente. É como ter um buraco negro no peito que cresce de dia para dia e que vai acabar por ser maior que eu e que todas as minhas forças.
Dizem que se desejarmos muito uma coisa e se concentrarmos todas as nossas energias positivas a imagina-la, mais dia menos dia acaba por acontecer. E eu não tenho feito outra coisa. Imagino-te várias vezes por dia a regressar. Vejo-te com ar cansado a entrar no avião, a procurares o teu lugar, a lançares um último olhar pela janela àquela terra maldita que te prende há quase dois anos.
Mas não adianta, são apenas visualizações, de algo que não está para breve.
E eu espero. Que é a única coisa que posso fazer.

2.8.06

Beijos com chocolate quente


Neste mundo imenso há definitivamente algo que conspira para que cheguemos ao nosso caminho, e para que encontremos a nossa razão de cá estar.
Quais são as probabilidades de seres perfeito para mim? De encaixares de forma precisa dentro da minha cabeça?
Somos exactamente da mesma altura, nascemos no mesmo dia e tivemos a sorte de estar no mesmo exacto momento no sitio que o destino escolheu para nos encontrarmos.
Sabemos as nossas canções preferidas de cor, temos os mesmos pricipios e sofremos dos mesmos medos.
Como eu, sabes estar presente quando é preciso e gostas de te isolar em ti mesmo quando não és necessário. Observamos o mundo da mesma prespectiva e não sofremos de mentalidades moldadas e abafadas.
Sabemos deixar os outros respirar e não padecemos de ansiedade crónica com toques de impaciência.
Descobrimos isto tudo numa tarde em que trocámos beijos com chocolate quente.
E no meio de tantas coincidências tinhamos que ser do mesmo sexo... Mas de Homem para Homem: quero lá saber!

21.7.06

As praias desertas

Esta música foi-me apresentada
no pior dia da minha vida, por alguém que nunca vou esquecer.

As praias desertas continuam
Esperando por nós dois

A este encontro eu não devo faltar
O mar que brinca na areia
Está sempre a chamar
Agora eu sei que não posso faltar

O vento que venta lá fora
O mato onde não vai ninguém
Tudo me diz
Não podes mais fingir
Porque tudo na vida há de ser sempre assim
Se eu gosto de você
E você gosta de mim

As praias desertas continuam
Esperando por nós dois

António Carlos Jobim

24.5.06

O medo e o escuro

Não falta muito. Prometo. Só cinquenta e seis degraus até tua casa. Subo, devagar eu sei. Preciso de pensar. Projectar um filme na minha cabeça. Com um final feliz. Para não ter medo.
O meu medo. Aflige-me. E a dúvida persiste. Pequenas pancadas. Subtis. Para ver se esqueço.
Já vejo a tua porta. E sei que em momentos a abres, com um sorriso. E abres o peito e os braços e deixas-me entrar.
E se eu tivesse coragem ficava por lá.
E já te ouço. A voz baixa e bem colocada.
A porta abre-se. E lá dentro tudo escuro. Cá dentro também. Porque no escuro ouve-se melhor.
E na tua casa cheia de gente não há mais ninguém para além de nós. A música não toca e tudo está calmo.
Sei que o meu mundo desta noite não passa. Vai acabar para sempre, pelo menos da forma como o conheço.

Já disse adeus às coisas lá de fora.
E sem palavras depositas na minha mão o pequeno milagre. Está na minha mão. E tu olhas-me como quem me abraça.
Sei que tens medo que eu desista. Que volte atrás e corra daqui. Mas não. Isso não acontece.
Já não volto atrás. Abro o frasco castanho e sorvo-o, sem respirar.
Saímos da multidão e refugiamo-nos na varanda. O mar está sereno, como num quadro.
Quando amanhecer estaremos longe, e nunca tão perto.


( E vai ficar tudo bem. Isso eu sei...)

5.4.06

Da Paixão

Quando alguém está apaixonado tem uma característica invulgar de filtrar as coisas más na outra pessoa e vê-la simplesmente com todos os pormenores que fazem com que ela seja especial. Isto é um facto provado, por isso ouvimos vezes sem conta que o amor é cego. Talvez seja… Mas se o amor é cego a paixão sofre de hipertimia. De um momento para o outro o Sol tem um brilho diferente, as cores estão mais vivas e o nosso dia a dia parece acompanhado de uma banda sonora.
Não podemos negar que a paixão nos torna em seres melhores, faz-nos sorrir e encarar o que nos rodeia de forma mais positiva, segundo algumas pessoas até faz bem à pele, pois o corpo produz mais endorfinas, sem esquecer as oxitocinas e vasopressinas.
Mas esquecendo todas estas reacções físicas e químicas, e pegando um pouco na linguística, a palavra paixão deriva do termo grego «pathos» que por sua vez significa agonia permanente. Será que aquela sensação das borboletas no estômago é apenas um sinal enviado pelo nosso inconsciente de que algo vai correr mal? Terá a paixão saído da caixa de Pandora?
A paixão dura no máximo dois anos, se for correspondida. E depois? Ou surge o amor, ou acaba tudo. E aparece um outro problema: a solidão.
Estamos novamente por nossa conta. Mas na nossa cultura e sociedade há uma quase regra que nos diz para procurarmos novamente uma possível cara-metade, alguém que nos complete, porque estar sozinho é quase patético.
Mas será que vale a pena tanta exposição, tanta entrega se no final estamos sempre por nossa conta? Será que vale a pena andar em busca da nossa outra parte?