Não falta muito. Prometo. Só cinquenta e seis degraus até tua casa. Subo, devagar eu sei. Preciso de pensar. Projectar um filme na minha cabeça. Com um final feliz. Para não ter medo.
O meu medo. Aflige-me. E a dúvida persiste. Pequenas pancadas. Subtis. Para ver se esqueço.
Já vejo a tua porta. E sei que em momentos a abres, com um sorriso. E abres o peito e os braços e deixas-me entrar.
E se eu tivesse coragem ficava por lá.
E já te ouço. A voz baixa e bem colocada.
A porta abre-se. E lá dentro tudo escuro. Cá dentro também. Porque no escuro ouve-se melhor.
E na tua casa cheia de gente não há mais ninguém para além de nós. A música não toca e tudo está calmo.
Sei que o meu mundo desta noite não passa. Vai acabar para sempre, pelo menos da forma como o conheço.
O meu medo. Aflige-me. E a dúvida persiste. Pequenas pancadas. Subtis. Para ver se esqueço.
Já vejo a tua porta. E sei que em momentos a abres, com um sorriso. E abres o peito e os braços e deixas-me entrar.
E se eu tivesse coragem ficava por lá.
E já te ouço. A voz baixa e bem colocada.
A porta abre-se. E lá dentro tudo escuro. Cá dentro também. Porque no escuro ouve-se melhor.
E na tua casa cheia de gente não há mais ninguém para além de nós. A música não toca e tudo está calmo.
Sei que o meu mundo desta noite não passa. Vai acabar para sempre, pelo menos da forma como o conheço.
Já disse adeus às coisas lá de fora.
E sem palavras depositas na minha mão o pequeno milagre. Está na minha mão. E tu olhas-me como quem me abraça.
Sei que tens medo que eu desista. Que volte atrás e corra daqui. Mas não. Isso não acontece.
Já não volto atrás. Abro o frasco castanho e sorvo-o, sem respirar.
Saímos da multidão e refugiamo-nos na varanda. O mar está sereno, como num quadro.
Quando amanhecer estaremos longe, e nunca tão perto.
( E vai ficar tudo bem. Isso eu sei...)