21.6.07

Pequenas Coisas

As pequenas coisas têm sempre importância. Os gestos, as palavras, os olhares…
Essas pequenas coisas que se transformam cá dentro em algo grande, com o tempo.
Hoje apercebi-me que passamos a vida a tentar iludir a alma com histórias que não são nossas, nem feitas para nós. Passamos o nosso tempo a contar lenga-lengas, tão irreais que o nosso coração quase acredita. E nestas histórias falsas não nos encontramos, perdemo-nos. Seguimos direcções diferentes. Largamos as mãos e não nos procuramos.
Agora que percorri o caminho e me apercebi que não é aqui que quero estar, preciso de ajuda para voltar atrás e encontrar-te de novo. Mas não consigo.
Não há ninguém que me indique por onde ir, não há ninguém que me mostre direcções. Ninguém me diz “é por ali.”.
E eu ando aqui às voltas com a vida, parando nos semicírculos, para respirar e tentar ver o que está no horizonte.
Estou quase a desistir, tenho frio e quero ir para casa. Tenho saudades dum abraço sentido, que não chega de onde quero.
"Ainda sabemos cantar,
só a nossa voz é que mudou:
somos agora mais lentos,mais amargos,
e um novo gesto é igual ao que passou."

16.6.07

Luz Falsa


E se fossemos falar de coisas sérias?
Dos teus segredos mais bem guardados.
Das fragilidades que teimas em esconder.
Da tua perfeita imperfeita perfeição.

E agora que estamos a falar de coisas sérias…
Se contasses como roubas opiniões?
Se mostrasses a todos o que trazes na bagagem?
Ou a bagagem que trazes dentro de ti.

Vais mostrar? Os baús cheios de farrapos.
Cheios de sonhos vendidos ao desbarato.
Cheios de bugigangas e futilidades coloridas.
Cheios de ti, em cada pedaço.

Não queres mostrar?

Não baixes o olhar, nem mordas os lábios.
Porque esse arrependimento ensaiado ao espelho já não resulta.
Deixou de surtir efeito, depois da overdose de gestos falsos.

Não balances as pernas, que não és a menina que querias ser.
Já não brilhas. És baça como uma parede de cimento.
E surpreendente. E imprevisível.

E eu que te conheço. Que te li por dentro como mais ninguém.
Trago-te cá dentro como algo raro e valioso.
Eu que te vejo sem truques, nem ilusionismos.