O nosso à vontade com alguém só é total quando os silêncios são confortáveis, e os nossos silêncios são tão bons quanto as nossas conversas pela noite dentro, tanto quanto as chamadas de telemóvel que duram quatro horas e passam a voar.
Há dias em que estou rodeada de gente e sinto-me a pessoa mais só do mundo. Ás vezes apetece-me virar as costas a todas as conversas de circunstância que não têm mais nada de interessante para acrescentar à minha vida. É nesses dias que mais sinto a tua falta, apesar de estar contigo todos os dias.
Ter-te por perto torna os meus dias mais cheios. A tua companhia é das melhores que eu conheço.
Adoro as nossas brincadeiras, mesmo quando pareces voltar a ter cinco anos e me puxas os cabelos, deitas a língua de fora e me apertas o nariz. E depois és capaz de crescer de repente, quando eu preciso de encostar a cabeça ao teu peito e ficar assim um tempo, enquanto me acaricias o cabelo e dizes que vai ficar tudo bem.
És todos os homens perfeitos que eu precisava de ter na minha vida: um melhor amigo, um irmão mais velho e o homem com quem eu quero ficar para sempre.
O nosso mundo é perfeito mesmo com as suas imperfeições, de amuos e de birras que passam mas que durante minutos parecem querer corromper tudo de bom que já existe.
É bom ter-te comigo, e gosto de saborear isto que temos aos pouquinhos sem pressa, porque tenho medo que isto um dia acabe.
Quando estou deitada prestes a adormecer e quando estamos naquele ponto em que mil e uma imagens nos passam pela cabeça, as mais frequentes são aqueles nossos momentos de cumplicidade, aqueles momentos tão doces como pequenos gomos de tangerina. Aqueles momentos em que o teu olhar diz tudo o que as palavras só podiam atrapalhar
Agora que sei que te tenho comigo como um prolongamento de tudo o que sou e penso, que sei que a palavra nós ganhou um sentido completamente diferente, sei que mesmo que isto não seja para sempre, vai ficar para toda a vida comigo.
