22.1.07

Film Noir

Finalmente percebi a frase “ A curiosidade matou o gato.”. Não o matou literalmente, matou de angústia e tristeza porque descobriu o que não queria. Foi como eu.
Eu tenho a mania das surpresas. É estúpido e incoerente, mas tenho. Sou uma romântica.
Planejo as coisas na minha cabeça como um assalto ao banco, com minúcia e precisão. E para além de planejar todos os passos também profetizo mentalmente o que me vão dizer para mais uma vez ter roteiros de resposta. Numa linguagem mais banal e corriqueira isto chama-se “fazer filmes”. E é isso mesmo: Filmes e filmes, bobines complexas de um film noir qualquer, patético enfim…
A noite estava tão fria que eu só podia ter desconfiado que algo não iria correr bem.
Mas eu tinha que ter ido com isto para a frente, como sempre.
Saíste, e eu media os minutos para que tudo fosse perfeito. Eu a e a minha organização cronológica não podíamos falhar.
Agarrei nas coisas e saí uma hora depois de ti, como tinha decidido. Daria tempo de te envolveres no teu trabalho e nem te lembrares do que tinha ficado para trás, ou seja, eu.
Cheguei ao edifício, com o nervoso miudinho, não de medo mas de expectativa. E eram tantas as que eu tinha….
As coisas não andavam bem eu sei, tu não estavas presente o tempo suficiente para que os nossos laços tivessem ficado mais fortes, e eu não fazia nada para que ficasses mais tempo. Por isso a surpresa. Para veres que penso em ti mais do que aquelas duas horas diárias que passas lá em casa, e mais do que os sábados à noite quando não estás amarrado ao trabalho.
E subi as escadas do átrio a correr, porque queria chegar depressa até ti. Continuei a subir porque não conseguia esperar pelo elevador vagaroso e hesitante de andar em andar.
Subi quatro lances de escada sem que a minha respiração se acelerasse, e vi finalmente a porta onde te encontravas semi aberta, e a luz acesa. Não havia ninguém naquele andar, tinha confirmado os turnos, só tu lá estavas a tratar de um caso que era inadiável e urgente.
Cheguei-me perto e abri a porta cuidadosamente, não queria uma entrada triunfal, queria chegar calma e contida ao pé de ti, o que era suposto ser triunfal viria depois…
E foi aí que tu me surpreendeste a mim, a expert em surpresas.
Foi aí que o meu coração caiu ao chão e se fez em mil, quando te vi, em vez de amarrado ao trabalho, amarrado a outra qualquer. E nem deste pela minha presença até que estúpida e ironicamente a rolha da garrafa de Champagne Billecart – Salmon, que eu trazia, ter saltado ruidosamente devido à correria, e o conteúdo ter regado o escritório, como num baptismo. Sim, foi um baptismo do fim da minha cegueira.
Olharam-me como quem olha para um acidente de viação: com admiração, horror e pena.
Desci a escadas de vagar, agarrando o corrimão com força e raiva. Raiva de mim.
Hibernei durante três dias ignorando tudo: telefone, campainha, o ladrar do Xavier…
Mas renasci para a vida com um novo impulso. E sabes, meu amor, como eu sou perfeccionista nestas coisas. Ando aos poucos a planear a minha vingança, que vai ser tão exemplar que o teu queixo vai cair. Surprise, surprise!!!
Ando a tratar de tudo com uma calma abismal, ando a limpar as minhas armas. E quando o tiro te acertar em cheio vai saber-me tão bem…
Vai ser a concretização e o desfeche perfeito do nosso próprio film noir.

21.1.07

More than Perfect

Since the beginning I knew that you were special. I thought that you were funny, whit your “kid who doesn’t want to grow up” attitude inside a fully grown man body. And it was your Peter Pan complex and my old obsession with maturity that approached us. I thought that you never took anything serious and you thought that I took things too seriously.
Everything happened to quickly, and even if we wanted couldn’t be other way.
I discovered, and I discover each day, something new and astounding about you. I discovered that you are capable not only to take me serious but to take yourself serious.
And that was the beginning of the most perfect relationship that I had and that I will ever have in my life.
It was a surprise to identify your other side: cautious, protector, sweet, kind…
I love this that we have, this that is only ours and that I’m sure, and I know you are too, that is perfect.
The way o look at me, the way you take care of me, that you embrace me when I sleep, the way you love me, how you hold up to me... everything is in the exact manner to be more than perfect.
You were one of the only persons that could understand the meaning of my long silences, and realize the moments when the best thing you could do for me was to walk away. And you always knew the best manner to come back, in silence, without questions…
Because you know that after all things that can happen, I am here for you with open arms, and you are always and forever welcome in my life.
And after all this, after all this that you signify to me, after all you did whit and for me, all this peace and serenity that you bring into my life, after all this…. Explain to me how can I risk all this, how can I be falling in love with someone else.
Please try to explain this to me, because I can’t understand. Explain and help me, because what is happening is something I don’t want, but for more that I try there are things stronger than myself.

5.1.07

Cavalo de Tróia

Eu pensei que fosses feita de outra matéria. De outra matéria que não este barro sujo, mundano, vulgar...
Quando olhei para ti a primeira vez parecias-me transparente, brilhante, e de uma leveza subtil capaz de parar o tempo e os pensamentos mais absurdos.
E foi por isso que te segui. Porque me davas a promessa de uma visão diferente, uma visão diferente de todas estas coisas tão supérfulas e um conhecimento mais verdadeiro desta matéria de que somos feitos, de que tu és feita e de tudo o que nos rodeia.
E desde esse dia ficaste na minha cabeça tal e qual um Cavalo de Tróia, silencioso, contido, espectante... Até eu baixar as defesas e então, invadiste tudo o que eu era, destruindo, calcando até restarem só ruinas.
Mas, minha querida, eu tenho uma novidade para ti: eu sou mais forte. E agora que já me passou a raiva e a vontade de te agarrar pelos pulsos e de te abanar até desmoronares e te transformares numa formiguinha prestes a ser pisada mais por hábito do que por vontade, tu já não passas de uma gargalhada. És só uma imagem enevoada, uma recordação difusa... E a certeza de que o coração também se engana.