Finalmente percebi a frase “ A curiosidade matou o gato.”. Não o matou literalmente, matou de angústia e tristeza porque descobriu o que não queria. Foi como eu.
Eu tenho a mania das surpresas. É estúpido e incoerente, mas tenho. Sou uma romântica.
Planejo as coisas na minha cabeça como um assalto ao banco, com minúcia e precisão. E para além de planejar todos os passos também profetizo mentalmente o que me vão dizer para mais uma vez ter roteiros de resposta. Numa linguagem mais banal e corriqueira isto chama-se “fazer filmes”. E é isso mesmo: Filmes e filmes, bobines complexas de um film noir qualquer, patético enfim…
A noite estava tão fria que eu só podia ter desconfiado que algo não iria correr bem.
Mas eu tinha que ter ido com isto para a frente, como sempre.
Saíste, e eu media os minutos para que tudo fosse perfeito. Eu a e a minha organização cronológica não podíamos falhar.
Agarrei nas coisas e saí uma hora depois de ti, como tinha decidido. Daria tempo de te envolveres no teu trabalho e nem te lembrares do que tinha ficado para trás, ou seja, eu.
Cheguei ao edifício, com o nervoso miudinho, não de medo mas de expectativa. E eram tantas as que eu tinha….
As coisas não andavam bem eu sei, tu não estavas presente o tempo suficiente para que os nossos laços tivessem ficado mais fortes, e eu não fazia nada para que ficasses mais tempo. Por isso a surpresa. Para veres que penso em ti mais do que aquelas duas horas diárias que passas lá em casa, e mais do que os sábados à noite quando não estás amarrado ao trabalho.
E subi as escadas do átrio a correr, porque queria chegar depressa até ti. Continuei a subir porque não conseguia esperar pelo elevador vagaroso e hesitante de andar em andar.
Subi quatro lances de escada sem que a minha respiração se acelerasse, e vi finalmente a porta onde te encontravas semi aberta, e a luz acesa. Não havia ninguém naquele andar, tinha confirmado os turnos, só tu lá estavas a tratar de um caso que era inadiável e urgente.
Cheguei-me perto e abri a porta cuidadosamente, não queria uma entrada triunfal, queria chegar calma e contida ao pé de ti, o que era suposto ser triunfal viria depois…
E foi aí que tu me surpreendeste a mim, a expert em surpresas.
Foi aí que o meu coração caiu ao chão e se fez em mil, quando te vi, em vez de amarrado ao trabalho, amarrado a outra qualquer. E nem deste pela minha presença até que estúpida e ironicamente a rolha da garrafa de Champagne Billecart – Salmon, que eu trazia, ter saltado ruidosamente devido à correria, e o conteúdo ter regado o escritório, como num baptismo. Sim, foi um baptismo do fim da minha cegueira.
Olharam-me como quem olha para um acidente de viação: com admiração, horror e pena.
Desci a escadas de vagar, agarrando o corrimão com força e raiva. Raiva de mim.
Hibernei durante três dias ignorando tudo: telefone, campainha, o ladrar do Xavier…
Mas renasci para a vida com um novo impulso. E sabes, meu amor, como eu sou perfeccionista nestas coisas. Ando aos poucos a planear a minha vingança, que vai ser tão exemplar que o teu queixo vai cair. Surprise, surprise!!!
Ando a tratar de tudo com uma calma abismal, ando a limpar as minhas armas. E quando o tiro te acertar em cheio vai saber-me tão bem…
Vai ser a concretização e o desfeche perfeito do nosso próprio film noir.
Eu tenho a mania das surpresas. É estúpido e incoerente, mas tenho. Sou uma romântica.
Planejo as coisas na minha cabeça como um assalto ao banco, com minúcia e precisão. E para além de planejar todos os passos também profetizo mentalmente o que me vão dizer para mais uma vez ter roteiros de resposta. Numa linguagem mais banal e corriqueira isto chama-se “fazer filmes”. E é isso mesmo: Filmes e filmes, bobines complexas de um film noir qualquer, patético enfim…
A noite estava tão fria que eu só podia ter desconfiado que algo não iria correr bem.
Mas eu tinha que ter ido com isto para a frente, como sempre.
Saíste, e eu media os minutos para que tudo fosse perfeito. Eu a e a minha organização cronológica não podíamos falhar.
Agarrei nas coisas e saí uma hora depois de ti, como tinha decidido. Daria tempo de te envolveres no teu trabalho e nem te lembrares do que tinha ficado para trás, ou seja, eu.
Cheguei ao edifício, com o nervoso miudinho, não de medo mas de expectativa. E eram tantas as que eu tinha….
As coisas não andavam bem eu sei, tu não estavas presente o tempo suficiente para que os nossos laços tivessem ficado mais fortes, e eu não fazia nada para que ficasses mais tempo. Por isso a surpresa. Para veres que penso em ti mais do que aquelas duas horas diárias que passas lá em casa, e mais do que os sábados à noite quando não estás amarrado ao trabalho.
E subi as escadas do átrio a correr, porque queria chegar depressa até ti. Continuei a subir porque não conseguia esperar pelo elevador vagaroso e hesitante de andar em andar.
Subi quatro lances de escada sem que a minha respiração se acelerasse, e vi finalmente a porta onde te encontravas semi aberta, e a luz acesa. Não havia ninguém naquele andar, tinha confirmado os turnos, só tu lá estavas a tratar de um caso que era inadiável e urgente.
Cheguei-me perto e abri a porta cuidadosamente, não queria uma entrada triunfal, queria chegar calma e contida ao pé de ti, o que era suposto ser triunfal viria depois…
E foi aí que tu me surpreendeste a mim, a expert em surpresas.
Foi aí que o meu coração caiu ao chão e se fez em mil, quando te vi, em vez de amarrado ao trabalho, amarrado a outra qualquer. E nem deste pela minha presença até que estúpida e ironicamente a rolha da garrafa de Champagne Billecart – Salmon, que eu trazia, ter saltado ruidosamente devido à correria, e o conteúdo ter regado o escritório, como num baptismo. Sim, foi um baptismo do fim da minha cegueira.
Olharam-me como quem olha para um acidente de viação: com admiração, horror e pena.
Desci a escadas de vagar, agarrando o corrimão com força e raiva. Raiva de mim.
Hibernei durante três dias ignorando tudo: telefone, campainha, o ladrar do Xavier…
Mas renasci para a vida com um novo impulso. E sabes, meu amor, como eu sou perfeccionista nestas coisas. Ando aos poucos a planear a minha vingança, que vai ser tão exemplar que o teu queixo vai cair. Surprise, surprise!!!
Ando a tratar de tudo com uma calma abismal, ando a limpar as minhas armas. E quando o tiro te acertar em cheio vai saber-me tão bem…
Vai ser a concretização e o desfeche perfeito do nosso próprio film noir.