16.8.06

1001 Imagens

Já não sou nenhuma miúda. Embora as aparências iludam. Mas sinto que nos últimos tempos cresci imenso. Não é assim tão positivo. Por vezes as coisas ficam muitíssimo baças e confusas e eu tenho saudades. Muitas saudades do tempo em que tudo era fácil e podia ignorar o que se passava. Agora não. Não posso ignorar nada! Se o fizesse as coisas pendentes amontoavam-se e uma dor de cabeça transformar-se-ia num aneurisma prestes a rebentar como uma bomba relógio. Isto tudo faz como me sinta muitas vezes com oitenta anos… Exausta.
Não penses que ando a inventar desculpas. Não é verdade. Eu contigo não preciso nem consigo inventar desculpas.
Contigo sou inteiramente transparente. Nunca te menti e sabes disso.
Contigo ficava totalmente desarmada o que desencadeava uma sinceridade extrema.

- Nunca dizes que me amas…

E nunca disse. As palavras não tornam as coisas em factos. E mentir-te seria ferir-te.
Guardo para sempre 1001 imagens de algo que foi perfeito: a dança na praia, o meu quarto cheio de girassóis, os bilhetes no vidro do carro, a ida às grutas, o jantar em Sesimbra, a janela…
Escrever-te torna tudo mais fácil, se te fosse ver e falasse em voz alta não conseguiria acabar a primeira frase sequer.
Tenho chorado como nunca, mais que uma vez por dia.
Sinto a tua falta. Sinto a nossa falta. Sinto falta de tudo que tínhamos e ainda do que ficou por viver.
Tenho saudades de te ver chegar e da forma como te despedias quando tinhas que sair.
Desta última vez nem nos despedimos. Só um bilhete na almofada:

“Volto tarde. 1-12-14-19-5…”

Horas mais tarde o telefonema. Acho que voei até ao Amadora – Sintra. Em vão…
Ainda não consegui desfazer as malas acreditas?
Talvez nem seja preciso. Se calhar pego nelas e vou embora. É dificílimo para mim ficar aqui. Tropeço em ti a toda a hora.
Deixei tudo como estava: os livros, as roupas, até a toalha no chão da casa de banho.
Não quero perder as memórias que tenho de ti.
Não vais ler esta carta, mas precisava de abrir a comporta e deixar sair a corrente.
Sei que ainda vou chorar dias a fio… Não por tua causa, mas por minha que sem ti sou do tamanho de uma formiga.

3 comentários:

Anónimo disse...

Morrer Para Ser Preciso

by N/A
Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada.
Fui eu que julgei que podia arrancar sempre
Mais uma madrugada.

Ninguém disse que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada.
Fui eu que julgei que podia arrancar sempre
Mais uma gargalhada.

E deixar me devorar pelos sentidos,
e rasgar-me do mais fundo que ha em mim
emaranhar-me no mundo, e morrer para ser preciso,
Nunca por chegar, ao fim.

Ninguém disse que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julgei que podia arrancar sempre, mais uma madrugada.
E deixar-me devorar pelos sentidos,
E rasgar-me do mais fundo que ha em mim.
Emaranhar-me no mundo, e morrer por ser preciso,
Nunca por chegar ao fim.

E deixar-me devorar pelos sentidos,
e rasgar-me do mais fundo que ha em mim.
Emaranhar-me no mundo, e morrer por ser preciso,
nunca por chegar ao fim.

E deixar-me devorar pelos sentidos,
e rasgar-me do mais fundo que ha em mim.
Emaranhar-me no mundo, e morrer por ser preciso,
nunca por chegar ao fim.

E deixar-me devorar pelos sentidos,
e rasgar-me do mais fundo que ha em mim.
Emaranhar-me no mundo, e morrer por ser preciso,
nunca por chegar ao fim.

Anónimo disse...

ser feliz é uma tarefa impossivel e nós passamos a vida a tentar sê-lo... será que vale a pena?

Anónimo disse...

Perder alguém é sempre uma dor que mais parece um virus... come-nos por dentro até que não deixa mais nada...

doi... doi muito e eu não quero que doa...