24.9.06

Grãos de Areia

Perder alguém de quem gostamos é perder o rumo a seguir e ficar sem referências para seguir em frente. E é muito penoso encontrar de novo o caminho traçado e voltar a percorrê-lo.
Mas saber que estamos a perder alguém, apercebermo-nos disso e nada fazer, não reagir, é um misto de cobardia e apatia tão profundo que parece quase irreal.
E é isso que está a acontecer comigo. Estou a perder-te. É cada vez mais visível a distancia que nos assola. Uma falha sísmica que se abriu no nosso meio, cada vez mais profunda que nos afasta e parece impossível construir uma ponte para unir estes dois pontos distantes.
Estás a escapar-me por entre os dedos como finíssimos grãos de areia. E eu vejo os segundos a morrerem, vejo a contagem decrescente perto do fim. E esta bomba relógio que construímos com precisão cirúrgica vai rebentar. E nesse dia vamos gritar, vamos bater portas que nunca mais vão abrir, até ficarmos num silêncio sepulcral que nunca mais se vai quebrar.

2 comentários:

Anónimo disse...

Os graos de areia têm algo de muito engraçado...
Sozinhos não sao nada mas juntos torna-se fortes. Outra coisa é que a areia são todos os graos e mesmo que os teus dedos os separem eles voltam a juntar-se...

... por isso evita os graos de area... agara-te a uma concha mais pequena mas mais bela pelo que em si encerra... a segurança e protecção... ou talvez não...

Anónimo disse...

Gosto da forma como escreves...