5.1.07

Cavalo de Tróia

Eu pensei que fosses feita de outra matéria. De outra matéria que não este barro sujo, mundano, vulgar...
Quando olhei para ti a primeira vez parecias-me transparente, brilhante, e de uma leveza subtil capaz de parar o tempo e os pensamentos mais absurdos.
E foi por isso que te segui. Porque me davas a promessa de uma visão diferente, uma visão diferente de todas estas coisas tão supérfulas e um conhecimento mais verdadeiro desta matéria de que somos feitos, de que tu és feita e de tudo o que nos rodeia.
E desde esse dia ficaste na minha cabeça tal e qual um Cavalo de Tróia, silencioso, contido, espectante... Até eu baixar as defesas e então, invadiste tudo o que eu era, destruindo, calcando até restarem só ruinas.
Mas, minha querida, eu tenho uma novidade para ti: eu sou mais forte. E agora que já me passou a raiva e a vontade de te agarrar pelos pulsos e de te abanar até desmoronares e te transformares numa formiguinha prestes a ser pisada mais por hábito do que por vontade, tu já não passas de uma gargalhada. És só uma imagem enevoada, uma recordação difusa... E a certeza de que o coração também se engana.

1 comentário:

Anónimo disse...

Muitas coisas há que nos prendem e depois nos destroem...

... mas só a nossa força nos permite levantar dum tombo e continuar.