
Há agora um desassossego em mim que já não consigo calar.
Foi ontem que despertou por entre as folhas espalhadas pelo chão e a roupa desalinhada.
Chegou de mansinho, quase nem dei por ele. Só hoje de manhã reparei na sua presença. Olhei para o relógio em tom de cerimónia para marcar o momento: sete e dezasseis da manhã.
Estava atrasada, mas não me importei. Fumei um cigarro preguiçoso, só para celebrar.
E o som do chuveiro, o elevador intermitente, e o rosnar do carro que todos os dias são os mesmos – repetidos e monótonos – pareceram hoje pequenos tinidos de vozinhas ameninadas.
Às vezes fico assim, presa numa visão policromática e exagerada do que me rodeia. E o azedume colectivo não me inquieta, só me apetece é quebra-lo num abraço fortuito.
Mas o dia vai passar num movimento circular e hesitante de agulhas. E a noite… Essa é de festa. Porque sei que quando regressares a casa vou ser recebida com fogo de artifício.