29.1.08

Time Machine


Olha o sol! É dia lá fora, mas aqui está agora a anoitecer. As coisas cá dentro acalmam, silenciam. Caiu a escuridão serena. Estendo as pernas ao longo deste manteiro aconchegante e penso… A minha memória percorre os últimos dias, faz o inventário do tempo que passei contigo. Muito tempo, muitos dias seguidos. Um após o outro. Muitas manhãs a esgueirar-me da cama devagarinho para não te acordar, sair de casa e voltar. E tu no mesmo sítio, na mesma posição, à espera que te acordasse. E só quando isso acontecia a casa nascia de novo. A música, os livros abertos, o cheiro do café fresco…
As conversas de pernas a baloiçarem sobre o muro, as velas acesas no pátio, as gargalhadas apetitosas de noites de verão. Tirar o relógio do pulso, a recusar-me que o tempo passasse…
Tudo isso acabou. É triste… Agora só te posso visitar na memória, na máquina do tempo que criei na minha cabeça.
(foto de Vieirinha)

17.1.08

Foi ele que disse...

«Os homens gostam mais de amar, as mulheres de ser amadas. Os homens têm medo de ser amados. Apetece-lhes fugir. As mulheres não gostam de se ver apaixonadas. Perdem o respeito por si próprias. E têm medo de sofrer e de serem vistas.
Podem ser disparates, mas são eficazes. Uma rapariga quer-se livre, desprendida, sujeita apenas à vontade dela. Assim é mais fácil uma pessoa apaixonar-se. E, quando chega a altura da despedida, é mais fácil deixá-la, para mais.
Sempre me dei bem com as mulheres que se limitavam a achar-me uma certa graça. Admiro-as. Respeito-as. Não faço nada que as faça realmente mudar. Se há uma qualidade que provoca paixão em mim, sem dúvida, a indiferença. A combinação de tédio inteligente e beleza descuidada, é absolutamente irresistível. Aquele ar “eu sei lá…”. Aquele ar “tanto me faz…”.
Se é preciso amar, para tornar a experiência mais imprevisível e interessante, sou eu que me encarrego disso. Não estou cá para outra coisa. Às raparigas só lhes peço que façam o que lhes apeteça, se possível sem disfarçar. É em estado bruto que mais me impressionam. Constrangidas, seja por amor ou compaixão ou sentido de dever, perdem mais de metade do que são. É o egoísmo e o comportamento irresponsável que lhes dão dignidade. As mulheres ficam bem, é quando se riem. Perdem tudo quando se põe a chorar.»

MIGUEL ESTEVES CARDOSO in « CEMITÉRIO DE RAPARIGAS»

Até que concordo...


10.1.08

New Year's Resolution


Nunca fiz uma lista de "new year's resolutions".

Mas este ano hei-de deixar de ser tão curiosa, já que só descubro aquilo que não quero... :(

2.1.08

Torture me true

“Desorientas-me. Passo-me contigo por saber que és uma
independente de merda que não precisa de mim para
nada…”



E eu oriento-me nesta existência volátil de não precisar do
que tenho, mas cativa-lo por saber que, apesar de
suportável, o vazio é uma tortura.