
Olha o sol! É dia lá fora, mas aqui está agora a anoitecer. As coisas cá dentro acalmam, silenciam. Caiu a escuridão serena. Estendo as pernas ao longo deste manteiro aconchegante e penso… A minha memória percorre os últimos dias, faz o inventário do tempo que passei contigo. Muito tempo, muitos dias seguidos. Um após o outro. Muitas manhãs a esgueirar-me da cama devagarinho para não te acordar, sair de casa e voltar. E tu no mesmo sítio, na mesma posição, à espera que te acordasse. E só quando isso acontecia a casa nascia de novo. A música, os livros abertos, o cheiro do café fresco…
As conversas de pernas a baloiçarem sobre o muro, as velas acesas no pátio, as gargalhadas apetitosas de noites de verão. Tirar o relógio do pulso, a recusar-me que o tempo passasse…
Tudo isso acabou. É triste… Agora só te posso visitar na memória, na máquina do tempo que criei na minha cabeça.
As conversas de pernas a baloiçarem sobre o muro, as velas acesas no pátio, as gargalhadas apetitosas de noites de verão. Tirar o relógio do pulso, a recusar-me que o tempo passasse…
Tudo isso acabou. É triste… Agora só te posso visitar na memória, na máquina do tempo que criei na minha cabeça.
(foto de Vieirinha)


