«Os homens gostam mais de amar, as mulheres de ser amadas. Os homens têm medo de ser amados. Apetece-lhes fugir. As mulheres não gostam de se ver apaixonadas. Perdem o respeito por si próprias. E têm medo de sofrer e de serem vistas.Podem ser disparates, mas são eficazes. Uma rapariga quer-se livre, desprendida, sujeita apenas à vontade dela. Assim é mais fácil uma pessoa apaixonar-se. E, quando chega a altura da despedida, é mais fácil deixá-la, para mais.
Sempre me dei bem com as mulheres que se limitavam a achar-me uma certa graça. Admiro-as. Respeito-as. Não faço nada que as faça realmente mudar. Se há uma qualidade que provoca paixão em mim, sem dúvida, a indiferença. A combinação de tédio inteligente e beleza descuidada, é absolutamente irresistível. Aquele ar “eu sei lá…”. Aquele ar “tanto me faz…”.
Se é preciso amar, para tornar a experiência mais imprevisível e interessante, sou eu que me encarrego disso. Não estou cá para outra coisa. Às raparigas só lhes peço que façam o que lhes apeteça, se possível sem disfarçar. É em estado bruto que mais me impressionam. Constrangidas, seja por amor ou compaixão ou sentido de dever, perdem mais de metade do que são. É o egoísmo e o comportamento irresponsável que lhes dão dignidade. As mulheres ficam bem, é quando se riem. Perdem tudo quando se põe a chorar.»
MIGUEL ESTEVES CARDOSO in « CEMITÉRIO DE RAPARIGAS»
Até que concordo...
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