5.12.08

No princípio era o verbo.

Não, não era. Na história que eu conheço, no princípio era o silêncio e a serenidade.
E do silêncio despertou um burburinho, um rumor longínquo. E da serenidade um palpitar ténue, pequeníssimo, insignificante. Que foi crescendo.
Cresceu, criou raízes. Raízes invasivas que se fincaram. Álgicas, indiferentes.
E nesse pedaço de nada onde havia silêncio e serenidade, há agora uma massa indefinida que não se sabe se é carne, e não se sabe se é cancro.
Por isso eu sei que no princípio não era o verbo. Se fosse eu saberia pegar nesse verbo e dissecá-lo. Fazer esse verbo, que evoluiu desde os primórdios, regressar à sua forma original, e assim entender o que ele significa. Por isso no princípio não era o verbo. Se fosse, era tudo tão fácil.

3.12.08

Again... The words

É nas palavras que eu me encontro. A vida decide-se na hesitação de reticências ou na assertividade de um ponto final.Segue-se em frente num novo parágrafo. E com dois pontos fica tomada uma decisão.É nas palavras que eu me encontro. E quando essas palavras se encontram, se juntam e formam frases, que por sua vez se encontram para contar uma história, é nessa história que se encontra o que sou, vi e vivi.