5.7.05

Por que te quero?

Não sei o que mais me chamou a atenção quando te conheci. Não sei se foi a tua forma de ver a vida com graça que fez com que cada vez que te via sorrir o meu peito se enchia de cor que transparecia pelos meus olhos, como se em vez de íris me tivessem lá posto dois caleidoscópios.
Não sei se foi esse teu cheiro a mar que sai de cada poro teu que me devolveu a vontade de mergulhar de cabeça na ondulação do teu corpo, sem medo de ficar presa numa corrente mais traiçoeira.
Esses teu olhos cor de nada que já existe, tão cheios de tesouros por descobrir, queimam os meus a cada lance, a cada olhar que se cruza e não se deixa tocar.
A tua voz rouca que roçava o meu ouvido nas noites quentes de Verão, essa mesma voz que não sai da minha cabeça e me incendeia a carne, parece repetir-se quando o vento sopra mais forte.
A tua pele cor de areia molhada que me tocava até à exaustão, que me consumia a alma e me deixava ofegante de tudo o que era teu.
Continua a não perceber se foi esse teu “Está tudo bem.” que era dito no momento necessário, que me despertou cá dentro a vontade de ficar contigo até ao dia que as estrelas se apagariam para sempre.
Deve ser dessa luz imensa que te sai do corpo directamente para os meus olhos, só pode ser. Só pode ser por seres sempre tu que me agarras na mão quando a minha alma parece sucumbir.
Não sei o que seja, nem porquê. Só sei que te quero. Em mim, dentro de mim.

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