
Há perguntas que eu não te faço porque não sei se estou preparada para ouvir a resposta.
Mas há gestos em ti que me prendem, palavras que me imobilizam.
Já vivemos tantas coisas juntos que poderíamos dizer que já nos conhecemos completamente. Sabemos, à partida como cada um reagirá perante qualquer situação.
O que pode ser um pouco assustador, pois o facto de nos conhecermos na totalidade não nos deixa nada por descobrir. Mas é ao mesmo tempo reconfortante, porque podemos antever a queda um do outro e lançar um gesto para a proteger, amparar e sobretudo suavizar a dor.
Ao longo da nossa vida fomos atribuindo e definindo espaços dentro de nós a pessoas, lugares, momentos… O teu é especial. Carregar-te em mim não exige nenhum esforço, não é martirizante. É até um sentimento agradável. Dá-me a sensação que te tenho sempre perto de mim.
Temos a característica de eufemizar acontecimentos e situações.
E depois há o hábito que criamos um do outro. Como quando chego a casa depois de um dia extenuante e me despes, me beijas e me adormeces. Ou quando vens angustiado, porque uma vida não resistiu e te fugiu das mãos, e eu fico a teu lado em silêncio. Porque as palavras só são necessárias quando há algo a definir.
Tenho a certeza que mesmo que não fiquemos juntos para sempre, vou gostar sempre de ti. E das sensações que me dás quando estás comigo. Pois gosto de ti como és. Com todas as tuas fraquezas e defeitos. Gosto de ti porque és humano e não uma figura idealizada. Gosto de ti porque és o único que me vê como realmente sou e gostas disso.
1 comentário:
Sorte tem o destinatário dessas palavras.
Explica-me uma coisa.
Como consegues fazer poesia em prosa?
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