1.1.06

Perda


Morreu! Ainda não consegui assimilar essa informação mas é verdade.
Ainda não consigo acreditar, nem tão pouco perdoar!
Alem de se matar matou tudo de bom que havia na minha vida. Num momento de loucura, deixou-se vencer pela clareza súbita da vida que nos prende ao mundo por um fio muito fino e frágil… e abandonou-me. Deixou-me no perplexo da incerteza entre o ser e o não ser. E agora estou sozinha num mundo construído para dois. E que só faz sentido se estivermos juntos.
Não sei o que vou fazer daqui para a frente. É tudo indecifrável, como um nevoeiro cerrado. Não sei que passos dar para alcançar o cume da estabilidade e voltar ao que sempre fui.
Nunca pensei que perder alguém fosse isto. Perder totalmente o rumo a seguir e ficar sem referências. Tudo deixa de fazer sentido e o que me acompanha é o nada e vazio nos quais flutuo.
Preciso de ti! Quem te mandou abandonar-me? Quem te fez senhor de decidir que eu funciono sem ti?
Se pudesse voltar dizia-te que somos um só. Que tudo nos pertence. E que a soma total dos nossos corpos é a verdadeira resposta para tudo.
Mas já cá nãos estás. Deveria ter-te dito isto há mais tempo.
Mas temos que aprender a aceitar os acontecimentos e encará-los como desafios à nossa sobrevivência mental. E foi preciso tu partires para eu aprender isso.
As pessoas de quem gostamos são-nos tiradas muito depressa. Por isso devemos deixá-las sempre com palavras de amor, pois pode ser sempre a última vez que as vemos.
Estás longe, num sítio onde já não te posso alcançar. Mas deixo-te aqui o meu amor.
Encontrámo-nos um dia…quem sabe… no céu.

Nádia Soares e Rafaela Oliveira

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