Esta noite fiquei com um sentimento entalado cá dentro. Como não gosto de magoar as pessoas, deixo que ele se auto-destrua ainda cá dentro, o que acaba por destruir um pouquinho de mim também.
O culpado foste tu. Sim, tu! Com essa mania que tens de seguir sozinho o teu caminho esqueces-te que naquele dia de Sol apanhei boleia do teu coração. Tens sempre a certeza absoluta não confirmada que eu não sinto a tua falta porque nunca me habituaste à tua presença. Como te enganas… Desde aquela manhã que te encontrei pensativo na praia, de cigarro aceso e sorriso apagado, guardo-te cá dentro com uma vontade insensata de te proteger. Falámos dos nossos projectos, das nossas vontades de conquistar o horizonte. Caminhámos lado a lado no areal molhado, já varrido pelo Vento do Norte. Passámos o Verão juntos, percorremos o nosso trilho ao volante do tempo efémero que partilhámos, rasgando o asfalto quente. A despedida foi triste para mim, para ti… apenas vazia de qualquer sentimento. Dissemos adeus naquela mesma praia, ao mesmo tempo que os pescadores se despediam do Mar, já cansados, enrolando as redes molhadas, ausentes de peixe.
A tua pele cheirava a sal, e os teus olhos verdes queimavam os meus com o silêncio previsto dos dias que se seguiam.
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