18.8.07

Marionetas

Tudo começou com um grito na casa vazia.
Daqueles que fazem eco cá dentro, onde não há nada…
O grito que acordou a quietude secular.

Há muito que tudo parecia o lado errado de algo que não existe. Até chegar o declínio tardio da esperança. A paz prolongada fez hibernar o curso natural das coisas que se prorrogam.

Fez-nos cair…

O cinzento abateu-se sobre a vida como um nevão inesperado. O mundo cá dentro parou. O tic-tac do relógio abrandou e ficou no embalar doentio de algo que está a expirar.

E o mundo girava…

As marionetas em que nos tornamos prostradas no chão, envoltas nos fios que não as endireitavam em mãos alheias. A cor da porcelana esbateu-se, assim como o as cores do que víamos.

Ainda lá estamos à espera do cheiro do palco.
À espera que a cortina se abra…

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