meteu a mão no bolso e tirou o pequeno embrulho fechado. abriu a mão envolta na luva de pelúcia cinzenta e pegou-lhe pelas duas extremidades. rodou-o devarigo, prolongando discretamente o barulho plástico impossível de calar. abriu o embrulho a custo, por culpa da estupidez teimosa de manter as luvas vestidas. e com o dedo indicador e o polegar pegou no pequeno cristal luzidio cor de esmeralda com a sagacidade de um crustáceo. elevou-o no ar e olhou-o rapidamente da ponta do nariz antes de o meter na boca. fechou os olhos e respirou fundo sentindo o ar frio, quase glaciar, que aquele pedaço de açúcar transformado lhe trazia. expirou, guardou o invólucro no bolso, onde três da mesma família repousavam por tempo indefinido.passou a língua doce pelos lábios cortados pelo frio e acelerou o passo como se estivesse com pressa...
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