Olá! Dizes tu como se o mundo te pertencesse e como se tivesses a certeza absoluta que estaria neste exacto momento e lugar só para olhar para ti.
Olá! E caminhas de peito aberto desfiando a vida, metido numa segurança avassaladora.
Sorris. Com um sorriso de criança que nunca cresceu escondida num corpo adulto e experiente. Mas quem te vê não imagina o que se esconde por dentro dessa muralha de pele e músculo. São medos e fragilidades.
Eu também pensava assim. Descobri-te, transparente, naquela noite de Inverno.
Chegaste molhado mate à alma. Entraste na minha casa como se também lá morasses, a pedir colo. Acolhi-te nos meus braços e enxuguei-te o corpo e os olhos. Aconcheguei-te à minha pele que ainda hoje não se libertou do teu cheiro.
Acordámos lado a lado. Tu, já recomposto, regressaste à tua personalidade soberana.
E hoje que tudo se baseia à memória duma história incompleta passas por mim com uma pose imperial que não é tua nem nunca foi.
Um dia destes vou ganhar coragem e dizer-te, do lugar mais alto que encontrar na minha alma, que desde aquela noite ficaste preso dentro de mim. Que uma metade tua cresce cá dentro e me preenche nas noites de chuva em que a cama é fria e vazia de ti.
Sem comentários:
Enviar um comentário