15.6.05

Até Sempre... Para Sempre

São cinco da tarde de um dia chuvoso e triste.
Chego a casa depois de um dia igual a tantos outros.
Abro a porta, atiro a pasta para o chão e dirijo-me à cozinha.
Um corpo inerte reside no chão de mármore, afogado numa poça de sangue.
Helena suicidou-se. Os pulsos vermelhos de carne e sangue não mentem.
Uma carta descansa na fruteira, acamada numa banana.
Toco no corpo. Está frio e rijo. Provavelmente está morta há horas.
Na minha típica atitude estupidamente racional marco o número das emergências.
Pego na carta, desdobro-a e leio:

Amigos,

Não sou nada senão mais um fantasma físico que vagueia neste inferno.
Há muito que me perdi neste cemitério de almas e sonhos.
Estou só, estou só no meio de uma multidão.
Não há saída para mim. Aterroriza-me esta claustrofobia inexistente que habita todo o meu corpo.
Tenho a misantropia instalada permanentemente em todos os meus órgãos e quero sair deste sufoco.
Obrigada por terem permitido que eu entrasse nas vossas vidas.
Até Sempre, Helena


Uma lágrima rola pelo meu rosto e desmaia no papel.
Dói-me a garganta de tristeza.
Helena resolveu morrer no mesmo dia em que eu percebi que a amo.
Agora só tenho a sua memória, para sempre…

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