
Olá, meu amor. Não sei onde estou.
É estranho este sítio a preto e branco.
Não tem ninguém. Só cinzas de imagens.
Não tem manhãs, nem noites.
O tempo desfragmenta-se e flutua.
Às vezes para o futuro.
Outras vezes para o passado.
Meu amor, consegues resgatar-me?
Leva-me outra vez para junto de ti.
Onde há calor e frio.
Aqui não se sente nada. Nem dor.
Já não me lembro o que é a dor.
Mas sei que não gosto de estar aqui.
Meu amor, consegues ouvir-me?
Ouves os meus gritos?
Eu aqui não oiço nada.
Mas falha-me a voz de chamar por ti.
Estou deitada num carvalho de cimento
Que me assombra todos os dias...
Meu amor, sabes onde estou?
Parece o lado errado de um filme.
Não há vida aqui.
Nem eu sei se vivo.
Sei apenas que vives em mim.
Ou será apenas a tua memória?
Meu amor... Será que me ouves?
Estende-me a mão.
Tira-me desta realidade.
Ou desta irrealidade.
Se pelo menos aqui estivesses...
Meu amor, será que és meu?
Ou feito de um sonho?
Meu sonho... Meu amor.
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