11.3.06

Alma de Nómada

8 : 15
Toca o despertador, inoportuno! E era suposto estares aqui. Sentada no teu lado da cama, enrolada numa toalha com o cabelo a cheirar a champô.
Era suposto, mas não estás. Em vez disso encontro um lado da cama frio e arrumado.
Sempre acreditei que connosco era para sempre, que irias ficar comigo até ao dia D, em que o corpo sucumbe e a alma ascende. Mas não.
O que parecia perfeito e me fazia sentir o tipo mais sortudo à face da terra desapareceu, desintegrou-se...
Ainda não consigo entender o que se passa dentro da tua cabeça: como consegues desprender-te das pessoas em três tempos, com que facilidade pegas nas tuas coisas e anuncias na mesma hora a tua partida.
Não consigo perceber também a simples e incompleta explicação com que me deixaste: que és uma pessoa singular, uma unidade e que não aceitas bem relações.
Chegas a essa conclusão um ano depois de partilharmos os mesmos espaços, a mesma vista sobre o Mar e os mesmos lençóis!
O pior é que eu não te consigo imaginar a vagabundear, perdida em ti mesma para sempre. Mais cedo ou mais tarde vais precisar de parar, chorar. E vais encontrar alguém que te ache graça, como eu achei, e que se apaixone por ti como aconteceu comigo. E vais ficar com ele uns tempos, a lamber as feridas e a sarar o espírito.
E vais passar a vida inteira nisto. Vais passar a vida inteira a pedir boleia a almas solitárias, cheias de vontade que o teu corpo lhes preencha os espaços deixados em branco. Até o dia em que decides partir novamente, deixando para trás corações em pedaços e olhos que já não conseguem chorar.
Por favor pára um minuto e pensa. Só um minuto para reflectir, porque bastaria um gesto para eu abrir de novo a porta e deixar-te ficar nesta casa que é grande demais sem ti.

2 comentários:

João Simão disse...

L
I
N
D
O

Psyché disse...

fantástico, parabéns tens muito jeito para a escrita :)