2.3.06

A Viagem...



Olho o meu retrato, e olho-me ao espelho. Não sou eu.

Tenho vontade de pegar num cinzel e esculpir de novo aquilo que eu fui.
O maior inimigo de alguém é o tempo,
principalmente quando se crava na alma
.
O quarto à minha volta está frio e parece cada vez mais negro.
Estou gelado, por dentro e por fora…
A janela abre-se num repente e o vento outonal espalha os papéis pelo chão da divisão.
Um livro antigo cai e abre-se. E lá está a fotografia.
A velha fotografia. Velha…
E eu grito, agarro-a e rasgo-a em mil pedaços. Fantasma.
O chão. Range.
E a dor. Álgica e minha. De sempre.
Chega e fica. Perpetua-se.
Horas.
O sal secou.
E eu sequei.
Já falta pouco. Para a viagem.

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