15.3.06

Old New York


Os dias sucedem-se numa marcha infinita de luz e escuridão.
E eu olho:
Pessoas que passam vezes seguidas, e outras uma única vez.
As cores que aparecem e se esgotam, e os cheiros que gostaria de guardar.
Esta cidade é assim: uma mistura policromática de tudo, podia até descrevê-la como um grande catálogo de todas as coisas que podemos ver no mundo.
Há anos que vivo aqui, atrás deste balcão de uma livraria antiga que o meu pai me deixou. Cresci a ver livros, a conhecê-los a respeitá-los. Sei de tudo um pouco.
E vejo sempre as pessoas através desta grande janela. Passam a correr para um lado ou para o outro. Por vezes não sei se têm mesmo pressa de chegar a algum lado, ou se apenas têm o hábito de andarem assim. O que elas não sabem é que vão passar pela vida demasiado depressa. Sem erguerem pelo menos uma vez a cabeça, e olharem o céu que se prolonga além dos grandes edifícios.
Do que eu mais gosto aqui é do Outono. Quando a cidade respira de alivio dos concertos e festivais do Verão. E tudo acalma e volta à rotina.
Gosto de andar pela 5ª Avenida em direcção ao Central Park. E ficar por lá nos fins de tarde, a ver as árvores que se pintam das cores da terra.
E é no Inverno que a correria se intensifica: pessoas mais apressadas ainda, com grandes sacos de presentes; outras que chegam de várias partes do mundo para sentir e ver o espírito Natalício que se salienta com as luzes e com a neve.
E neste enorme formigueiro de gente e culturas, haverá sempre lugar para mais um concretizar o sonho americano.
E eu estarei sempre aqui, atrás deste velho balcão rodeado de estantes de carvalho. A ver as pessoas que passam. O sangue da cidade nas suas imensas artérias.

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