19.2.08

Lost and Found

Foto de Ruben Andrade

Um passo à frente. Já nada é como era. Do passado... só as memórias. Uma vida que começa no mesmo corpo. As lágrimas, já não as conhece. Basta-lhe agora o silêncio como muralha. As pegadas não as pode apagar, essas só o tempo apaga. Eventualmente... Das feridas, restam as cicatrizes, que ficarão para sempre. Viva mais cinco ou cinquenta anos. Nem o olhar é como era, nem poderia ser... Depois do que viu. Mas isso já não o afecta, já se habituou: à morte e à dor. Quase que as sentiu. Antes que acontecesse arrancou o coração com as próprias mãos. Fez um buraco no deserto e enterrou-o, bem fundo. Onde já não o conseguia ouvir. Caminhará sozinho, para sempre. Sem olhar para trás. Porque quem olha para trás acaba por se perder. E perdido nunca mais estará. Porque no meio de tudo o que lhe era exterior, encontrou-se a si mesmo. Puro, egoísta, transparente. Sem sentir. Como a vida lhe ditou.
A estrada não pára. Ele... muito menos.

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