29.2.08

Your body is a wonderland

É bom ficar contigo nesta paz domingueira entre as letras impressas do jornal e as almofadas vincadas.
Observar as linhas do teu corpo que espreitam pela roupa desalinhada de doze horas de sono.
Os cabelos entrançados numa espiga dourada pendem-te nessa descontracção inconsciente e rotineira.
E acordas. Feliz. Relaxada. Sorridente. E todo o teu corpo me cumprimenta num espreguiçar prazenteiro.
E ficas assim a absorver-me e a observar-me. Com essa calma tipicamente felina, de quem, repentinamente, se libertará num salto da monotonia apreciada.
Mas ainda cá estás. E observo-te de volta: o corpo queimado pelo sol, as sardas na cara e no peito, os olhos verdes rasgados, o ar de menina… Sei que o que recebes de volta não é o melhor: as minhas rugas vincadas, os meus cabelos grisalhos, o meu ar permanentemente exausto, a minha barba preguiçosa de dez dias. Não tenho a beleza corriqueira e alegre dos teus vinte anos, mas, mesmo assim, ainda cá estás. Ficas, mas não te impões.
E eu secretamente gosto e secretamente tenho medo de te perder. Tenho medo dessa tua presença volátil, desse teu jeito de estar intermitente. Mas não te digo…
E eu até que gosto dessa tua maneira de gostar de mim. Da insignificância que as palavras têm connosco… Nunca dizes que me amas, nunca o vais dizer, mas ofereces-me a alegria frutada do teu corpo de uma forma leve e desprendida. E são nos teus gestos que moram as melhores maneiras de gostar de mim.

1 comentário:

Anónimo disse...

Interessante...