É bom ficar contigo nesta paz domingueira entre as letras impressas do jornal e as almofadas vincadas.
Observar as linhas do teu corpo que espreitam pela roupa desalinhada de doze horas de sono.
Os cabelos entrançados numa espiga dourada pendem-te nessa descontracção inconsciente e rotineira.
E acordas. Feliz. Relaxada. Sorridente. E todo o teu corpo me cumprimenta num espreguiçar prazenteiro.
E ficas assim a absorver-me e a observar-me. Com essa calma tipicamente felina, de quem, repentinamente, se libertará num salto da monotonia apreciada.
Mas ainda cá estás. E observo-te de volta: o corpo queimado pelo sol, as sardas na cara e no peito, os olhos verdes rasgados, o ar de menina… Sei que o que recebes de volta não é o melhor: as minhas rugas vincadas, os meus cabelos grisalhos, o meu ar permanentemente exausto, a minha barba preguiçosa de dez dias. Não tenho a beleza corriqueira e alegre dos teus vinte anos, mas, mesmo assim, ainda cá estás. Ficas, mas não te impões.
E eu secretamente gosto e secretamente tenho medo de te perder. Tenho medo dessa tua presença volátil, desse teu jeito de estar intermitente. Mas não te digo…
E eu até que gosto dessa tua maneira de gostar de mim. Da insignificância que as palavras têm connosco… Nunca dizes que me amas, nunca o vais dizer, mas ofereces-me a alegria frutada do teu corpo de uma forma leve e desprendida. E são nos teus gestos que moram as melhores maneiras de gostar de mim.
Observar as linhas do teu corpo que espreitam pela roupa desalinhada de doze horas de sono.
Os cabelos entrançados numa espiga dourada pendem-te nessa descontracção inconsciente e rotineira.
E acordas. Feliz. Relaxada. Sorridente. E todo o teu corpo me cumprimenta num espreguiçar prazenteiro.
E ficas assim a absorver-me e a observar-me. Com essa calma tipicamente felina, de quem, repentinamente, se libertará num salto da monotonia apreciada.
Mas ainda cá estás. E observo-te de volta: o corpo queimado pelo sol, as sardas na cara e no peito, os olhos verdes rasgados, o ar de menina… Sei que o que recebes de volta não é o melhor: as minhas rugas vincadas, os meus cabelos grisalhos, o meu ar permanentemente exausto, a minha barba preguiçosa de dez dias. Não tenho a beleza corriqueira e alegre dos teus vinte anos, mas, mesmo assim, ainda cá estás. Ficas, mas não te impões.
E eu secretamente gosto e secretamente tenho medo de te perder. Tenho medo dessa tua presença volátil, desse teu jeito de estar intermitente. Mas não te digo…
E eu até que gosto dessa tua maneira de gostar de mim. Da insignificância que as palavras têm connosco… Nunca dizes que me amas, nunca o vais dizer, mas ofereces-me a alegria frutada do teu corpo de uma forma leve e desprendida. E são nos teus gestos que moram as melhores maneiras de gostar de mim.
1 comentário:
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