Uma estrela pousou na cauda do dia. A luz só se via através do manto negro roído pelo tempo.
Os nossos pés estendidos ao longo da estrada que se fazia longa há várias horas.A casa ao fundo. As mão atadas, a minha com a tua. E no peito uma agulha chamada pressentimento.
A voz calada. O olhar avesso aos olhos. Um rufar de tambores dentro do corpo.
Passei os dias a enviar-te sinais de luzes, não posso mais conter o acidente.










meteu a mão no bolso e tirou o pequeno embrulho fechado. abriu a mão envolta na luva de pelúcia cinzenta e pegou-lhe pelas duas extremidades. rodou-o devarigo, prolongando discretamente o barulho plástico impossível de calar. abriu o embrulho a custo, por culpa da estupidez teimosa de manter as luvas vestidas. e com o dedo indicador e o polegar pegou no pequeno cristal luzidio cor de esmeralda com a sagacidade de um crustáceo. elevou-o no ar e olhou-o rapidamente da ponta do nariz antes de o meter na boca. fechou os olhos e respirou fundo sentindo o ar frio, quase glaciar, que aquele pedaço de açúcar transformado lhe trazia. expirou, guardou o invólucro no bolso, onde três da mesma família repousavam por tempo indefinido.