17.4.05

Como o Sol e a Lua

Duas almas distintas, dois caminhos opostos. Um dia cruzaram-se nas ramificações infinitas de um mundo grandioso, que encolheu aos olhos de um homem possessivo.
Existe uma força que nos une, que nos torna aliados sem nunca podermos partilhar o mesmo espaço. Como o Sol e Lua.
Governas o dia, aqueces as almas das pessoas, tens um brilho inconfundível, majestoso, imperial.
Eu gosto da noite, do escuro, do mistério envolvente, sinto-me ligada ao mar e a minha forma de estar varia através de ti. Brilho com o reflexo da tua luz, e nunca ofusco os outros corpos cintilantes que permanecem na tela negra onde me deito.
És o âmago de outras existências que se reúnem à tua volta e te adoram com a força de uma permanência ancestral. Eu vivo camuflada entre os corpos de claridade que me prendem com a força cativa de uma vida de correntes invisíveis.
Comigo trago o vento gélido e o deserto arenoso, branco e vazio.
Não vivo sem ti, paraliso.
Quase nunca te encontro, mas quando acidentalmente, invulgarmente, nos cruzámos, todo o universo pára para ver o reencontro de duas forças opostas que se amam com a energia primitiva de uma ausência colossal.

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