Os dois sentados lado a lado. Os dois com os olhos postos no ir e vir repetitivo e infinito das ondas. Era quase noite. O céu pintado de vermelho e laranjas como se Deus se aborrecesse de vê-lo azul.
A praia estava deserta. Nós em silêncio. Para além do ruído das ondas a desmaiar na areia, só se ouvia a nossa respiração ritmada.
A meus pés o caderno de capa preta que sempre trago comigo. Nada lá tinha escrito nessa tarde. Preferia a tua companhia que a companhia das palavras.
Coçavas o queixo com barba de dez dias como fazias sempre que tinhas um pensamento profundo. Sorrias para ti mesmo. O cabelo quase grisalho, mas ainda com os reflexos loiros dava-te um ar vivido mas terno, os olhos verdes, esses jamais envelheceriam.
A voz profunda, grave e rouca não se manifestava há horas.
Deitaste a cabeça no meu colo, num gesto tão familiar, a pedir carinho. Passava-te os dedos ao de leve no rosto, nos cabelos rebeldes, nas rugas vincadas pelo sorriso, nos lábios, nos olhos. Os meus nunca saíram do Mar. Acendeste um cigarro, puxaste languidamente o fumo enquanto semicerravas os olhos, nesse jeito tão teu. Sopraste o fumo em direcção ao céu. Uma brisa com cheiro a maresia batia ao de leve nos meus cabelos castanhos.
Anoiteceu completamente. Levantaste-te, descalçaste-te. Caminhaste em direcção à água em passos lentos. Fizeste um gesto tácito para que te acompanhasse.
Segui-te. Parámos juntos, na exacta fronteira entre a areia e o Mar.
Demos as mãos, os corpos e as almas. Gastámos a pele cansada na sofreguidão do espírito.
E hoje que os teus olhos verdes se fecharam, sei que ainda vagueias, naquela praia esperando que chegue a hora em que te encontre de novo e me devolvas a tranquilidade que me roubaste no dia em que abandonaste a minha alma neste mundo sem o verde dos teus olhos.
A praia estava deserta. Nós em silêncio. Para além do ruído das ondas a desmaiar na areia, só se ouvia a nossa respiração ritmada.
A meus pés o caderno de capa preta que sempre trago comigo. Nada lá tinha escrito nessa tarde. Preferia a tua companhia que a companhia das palavras.
Coçavas o queixo com barba de dez dias como fazias sempre que tinhas um pensamento profundo. Sorrias para ti mesmo. O cabelo quase grisalho, mas ainda com os reflexos loiros dava-te um ar vivido mas terno, os olhos verdes, esses jamais envelheceriam.
A voz profunda, grave e rouca não se manifestava há horas.
Deitaste a cabeça no meu colo, num gesto tão familiar, a pedir carinho. Passava-te os dedos ao de leve no rosto, nos cabelos rebeldes, nas rugas vincadas pelo sorriso, nos lábios, nos olhos. Os meus nunca saíram do Mar. Acendeste um cigarro, puxaste languidamente o fumo enquanto semicerravas os olhos, nesse jeito tão teu. Sopraste o fumo em direcção ao céu. Uma brisa com cheiro a maresia batia ao de leve nos meus cabelos castanhos.
Anoiteceu completamente. Levantaste-te, descalçaste-te. Caminhaste em direcção à água em passos lentos. Fizeste um gesto tácito para que te acompanhasse.
Segui-te. Parámos juntos, na exacta fronteira entre a areia e o Mar.
Demos as mãos, os corpos e as almas. Gastámos a pele cansada na sofreguidão do espírito.
E hoje que os teus olhos verdes se fecharam, sei que ainda vagueias, naquela praia esperando que chegue a hora em que te encontre de novo e me devolvas a tranquilidade que me roubaste no dia em que abandonaste a minha alma neste mundo sem o verde dos teus olhos.
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