9.5.05

Não vou deixar morrer o coração

A pior coisa que podemos fazer é deixar morrer o coração. Foi isso que aconteceu comigo há uns anos atrás, quando ainda não tinha maturidade suficiente para perceber que existem pessoas más, capazes de assassinar o sentimento mais nobre que alguém pode ter.
Andei durante muito tempo com o coração parado, tanto tempo que me esqueci que ele lá estava. Vagueava, guiado apenas pela cabeça que me dizia o que era certo ou errado sem qualquer manifestação sentimental.
Foi na noite em que te encontrei sorridente e inquieta que, subitamente, qualquer coisa começou a funcionar dentro da minha caixa torácica. Eras tão diferente! Tinhas uma luz estranha e mágica que fluía através do teu corpo e me entrava directamente nos olhos, encadeava-me! Nunca mais consegui deixar de olhar para ti.
Cada toque, cada olhar, cada sorriso, cada palavra tua propaga-se cá dentro e vibra como a corda de uma guitarra, arrepiando-me até à alma.
Foste a culpada da ressurreição do meu coração que bate a cada segundo com a força de mil homens, com a energia infinita de mil sois.
És a culpada desta nova vontade de viver que nasceu em mim e me faz lutar a cada dia por ser digno de tudo o que és. Despertaste em mim a necessidade de ser uma pessoa melhor, uma pessoa capaz de amar sem restrições e de se entregar transparente e por inteiro sem medo de cair novamente no espaço vazio da razão obstinada.
Nunca te disse, mas não vou deixar que o tempo corra depressa demais. Vou deixar que me invadas com todo o teu fulgor, com toda a tua vontade de viver cada dia como um último, com toda a carência que tens de abraçar a vida. Vou abandonar de vez a apatia que existia em mim.
Contigo aprendi a dar um passo de cada vez. Não vou voltar a olhar para o mundo apenas com os olhos. Ensinaste a ver com a alma, com o corpo, com a boca, com as mãos…
É sem dúvida a maior lição que se pode ter.

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