25.5.05

O nosso mundo

Marcar uma vida como tu marcaste a minha não é fácil. Ou melhor, não acontece com toda a gente. Tanta gente passa por este mundo sem provar metade daquilo que tu me deste a provar.
Ensinaste-me que podemos fazer o que quisermos, sem nos importar com os outros, sem nos importar com o que possam pensar. Isso sim é a verdadeira liberdade.
Contigo sempre pude dizer o que pensava realmente, sem eufemismos, sem pensar se poderia magoar ou ferir sentimentos. Era tão livre a teu lado.
Dizias-me que tudo era nosso: o céu, as estrelas, o mar, o arco-íris que aparecia depois de uma chuva intensa…
Corremos o mundo sem nada nos bolsos, apenas com uma vontade imensa de ver tudo e um amor imbatível pela vida que nos enchia o peito de esperanças.
Nadamos nus no mar mediterrâneo, corremos descalços na Medina de Fès, enfrentámos sem medo as tempestades de areia do Saara, saltamos de terra em terra ao sabor do vento e da nossa vontade: Oujda, Saïda, Skikda, Banzart… Apanhamos boleia num iate com um dono simpático e rumamos a Itália.
Demos as mãos pela última vez naquela praça em Florença, enquanto olhávamos a Lua, cansados do calor do Verão. Deste-me um beijo com sabor a cappucino e olhaste-me com ternura.
Quando acordei já lá não estavas, só a cortina branca esvoaçava.
Já passaram dez Verões… Nunca te procurei. Sei que um dia encontrar-me-ás, e então, voltaremos a percorrer o mundo guiados pelo momento e pela vontade de estarmos juntos.

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