29.12.05

Tristesse


Imprudent. Dans ça vie de fous.
Je t’ai vu. Seulement comme un autre.
Un dom humain. Sans magie. Sans folie.
Une mélange de vie et morte.
Déambulait dans la rue. Aveugle.
Tes mains crues, tes lèvres froides.
La peau déserte de étoiles, un peu gris, un peu blanche.
Tes pieds incandescents, imparables.
Tes mots de silence, je les écoute toujours.
Je t’ai vu. Je t’ai perdu.
Le rêve qui n’est pas éprouvé disparaît dans un souffle.
Jamais le passé. Parfois la mémoire.
Toujours ta face brisée dans le sol, dans mille éléments.

27.12.05

A minha vida dança na ponta dos teus dedos

O que eu mais gosto é de poder saborear as tuas palavras. Palavras com sentido e profundidade. Quase uma melodia silenciosa e ilógica. Como quem sente a face a queimar e não se move, como quem morde a língua e aprecia a dor.
Palavras que ficam, que se aprisionam e me invadem, constantemente.
Seja no papel, habilmente desenhado, ou através dos teus lábios esculpidos e perfeitamente delineados. O que eu quero é sabê-las e senti-las. Hoje ou amanhã.
Fechar os olhos e viajar a teu comando, seguir o rumo que queres. Viajar no tempo e espaço.
Ao sabor da tua vontade.
Ser esta e aquela. Acabar vivendo ou morrendo. Ser tua e de ninguém. Tu decides. Tu escreves. A minha vida dança na ponta dos teus dedos.
A história é tua. As palavras tu escolhes. O meu destino também.

26.12.05

"Esclavos", Diego Manuel

21.12.05

Palavras que Morrem


Quanto vale uma imagem no tempo que não se adianta? Que morreu para sempre...
Vamos parar o relógio e ficar suspensos, neste fio de prata que não quebra. Ou quebra, no último dia.
Vamos criar tempestades, vamos subir tornados, criar marmotos na pele, e chuva nas mãos.
Vamos quebrar vidros de silêncio que se prendem ao corpo. Vamos desamarrar os barcos da mágoa e navegar à deriva...
Vamos extinguir fogueiras de terror, queimar rios de incerteza.
Saberemos para sempre com o que contar. Eu de ti, tu de mim.
Tenho os olhos a gritar por ti.A pele a secar pelo sal.
Já não? Já não vens...
O asfalto já não queima nos dias de Verão. A areia não se molha quando o mar lhe toca.
Eu já não leio as almas que me chegam. É tudo previsível.
As letras quando se juntam já não formam palavras. Só se juntam pelo hábito de estarem juntas.
Porque as letras nasceram para formar palavras. As palavras para construirem frases. E as frases para morrerem na boca dos Homens que as consomem sem pensar.
As paredes já estão a fechar. E eu no centro da sala à espera do que não sou.

19.12.05

Não fui.

Há coisas que me ultrapassam, e neste mundo são muitas. Não controlo muitas forças que me dominam, involuntariamente.
Não decidi que os rios morrem no mar. Não decidi que o dia acaba com o pôr de sol.
Não decidi que nos iríamos cruzar por coincidência, nem que ficaríamos ou não aliados por truques de alquimia, que não controlo.
Nunca ordenei à distância que se medisse em palavras e não em quilómetros.
Só sei que todos nós podemos fazer às pessoas como se faz com uma folha de papel quando a história não coincide.

10.12.05

A Menina Magia e o Rapaz Saudade

Caminhava sozinho, assobiando uma música que não conhecia, quando a vi. Acenando às coisas com o corpo. Dançava a dança do mundo. Rodava sobre si própria, apoiada na ponta do pé, fazendo-se bailarina.
Caminhei até à esquina e encostei-me. Escondido para ver melhor. Braços cruzados sobre o peito, com medo que o coração me fugisse de tão depressa que batia.
Dançava, mais e mais. Sorrindo e rindo. Tinha uma luz imensa à sua volta que a tornavam ainda mais branca.
As pedras da rua fumegavam sob os seu pés descalços. Os seus braços elevados conduziam as mãos num espectáculo de pele e movimento. Ondulavam, ditando os movimentos do restante corpo.
Os cabelos numa cascata negra, pendiam-lhe sobre as costas. As roupas molhadas pela chuva tornavam-lhe as formas mais definidas.
Até que, sem parar, me olhou. Me fitou, como se soubesse que já lá estava há muito.
Caminhou até mim felinamente. Desafiando-me.
Tocou-me no peito, a constactar se ainda vivia. Deu uma volta sobre o meu corpo e parou diante dos meus olhos. Cegando-me com os dela.
Não sei quanto tempo ficámos assim: se dias, meses, anos...
De repente soltou-se de si mesma numa beijo. Que me feriu, queimou... Implodiu num corpo de espelhos, e depois... O nada. Nunca mais a encontrei.
Dela só sei Magia. De mim só sei Saudade.

9.12.05

Fúnebre

Chove. Como nunca choveu.
Toda a gente chora menos eu. Estupidamente.
Olho em volta à procura de um olhar familiar, um olhar desesperado. Ninguém.
Pela primeira vez sinto-me por minha conta, frágil. Um peão sozinho neste imenso tabuleiro de xadrez.
O caixão já está quase coberto. Já passou a despedida. Agora só nos resta o tempo para que o habito da ausência se crie.
Como é estúpido o ser humano: tão susceptível à mudança, só de hábitos é feliz. Não sei se é condição ou cobardia.
Toda a gente me abraça tentando demonstrar compaixão e disponibilidade.
- Vão à merda, abutres! - grito em surdina do alto da alma.
Ninguém se importa, eu sei. Só a aparência conta.
Estou um nojo, as noites nem me salvam. Afogado em cigarros e Vodka. Olheiras e má disposição é tudo o que tenho.
Que eu morra ou viva, já não me importa.
Vou desaparecer. Vendo tudo e desapareço. Já nada me prende nesta terra.
Vou para França, ou Itália, não sei. Talvez Espanha onde falam muito alto, que eu já não me suporto ouvir.

2.12.05

Eu tenho um amigo poeta

Eu tenho um amigo poeta
Que mora na minha cabeça.
É pessoa pequena e discreta
Que vive para que a vida aconteça.

Tem os olhos cor de cidreira.
E a pele cor de avelã.
Dança ao crepitar da lareira.
E é mais feliz pela manhã.

Ai! O meu amigo poeta
Tem uma sorte que eu não tenho:
Tanto pode voar num cometa,
Como ir ao outro lado do espelho.

Fala de amor com o vento,
E escreve cartas à Lua.
Se quiser viaja no tempo.
Quando quer dorme na rua.

Estando triste deita-se no mar,
Sorrindo o Sol aparece.
Não tem voz e sabe cantar,
E se chora depressa anoitece.

Deixa-me galopar contigo,
Num cavalo feito de quimera.
Não te demores, poeta amigo,
Que já não tarda a Primavera.

Leva-me nas tuas aventuras.
Amigo poeta, estende-me a mão.
Não tenho medo nenhum de loucuras.
Medo, só tenho da solidão.