Chove. Como nunca choveu.
Toda a gente chora menos eu. Estupidamente.
Olho em volta à procura de um olhar familiar, um olhar desesperado. Ninguém.
Pela primeira vez sinto-me por minha conta, frágil. Um peão sozinho neste imenso tabuleiro de xadrez.
O caixão já está quase coberto. Já passou a despedida. Agora só nos resta o tempo para que o habito da ausência se crie.
Como é estúpido o ser humano: tão susceptível à mudança, só de hábitos é feliz. Não sei se é condição ou cobardia.
Toda a gente me abraça tentando demonstrar compaixão e disponibilidade.
- Vão à merda, abutres! - grito em surdina do alto da alma.
Ninguém se importa, eu sei. Só a aparência conta.
Estou um nojo, as noites nem me salvam. Afogado em cigarros e Vodka. Olheiras e má disposição é tudo o que tenho.
Que eu morra ou viva, já não me importa.
Que eu morra ou viva, já não me importa.
Vou desaparecer. Vendo tudo e desapareço. Já nada me prende nesta terra.
Vou para França, ou Itália, não sei. Talvez Espanha onde falam muito alto, que eu já não me suporto ouvir.
1 comentário:
desapego?
não...
acho que não
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