Vamos parar o relógio e ficar suspensos, neste fio de prata que não quebra. Ou quebra, no último dia.
Vamos criar tempestades, vamos subir tornados, criar marmotos na pele, e chuva nas mãos.
Vamos quebrar vidros de silêncio que se prendem ao corpo. Vamos desamarrar os barcos da mágoa e navegar à deriva...
Vamos extinguir fogueiras de terror, queimar rios de incerteza.
Saberemos para sempre com o que contar. Eu de ti, tu de mim.
Tenho os olhos a gritar por ti.A pele a secar pelo sal.
Já não? Já não vens...
O asfalto já não queima nos dias de Verão. A areia não se molha quando o mar lhe toca.
Eu já não leio as almas que me chegam. É tudo previsível.
As letras quando se juntam já não formam palavras. Só se juntam pelo hábito de estarem juntas.
Porque as letras nasceram para formar palavras. As palavras para construirem frases. E as frases para morrerem na boca dos Homens que as consomem sem pensar.
As paredes já estão a fechar. E eu no centro da sala à espera do que não sou.
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