23.10.07

Outono que fomos

Foi só uma noite.

Mas fomos tanto nessa noite.

Fomos tempo indiferente. Fomos luz e segredo. Fomos gargalhadas e pranto. Fomos sangue que ferveu, fomos mais que o que somos.
Roubamos as palavras. Abrimos portas proibidas. Fomos horas a mais que a noite tem.
Fomos poetas de rua, malabaristas de olhares.
Travamos o rio que flutuou para além da razão.
Fomos inimigos e lutamos na mesma guerra de sorrisos.
Dançamos.
Dançamos sem vontade de quebrar a quietude da alma que se encontrou de novo.

Fomos só uma tarde.

Uma tarde de Outono que resgatou o SOL.
FOMOS tanto nessa tarde. Fomos mais que a soma que conseguimos.
Fomos fogo profundo no espaço. Fomos homens e crianças.
Aprisionamos o medo e fugimos. Navegamos o mar que ainda não existe.
Fomos mãos. Fomos pele e saliva.
Corrente sanguínea.
Fomos água e evaporamos.
Caímos de novo e inundamos a terra. Diluvianos, apocalípticos.
Fomos um número ímpar, quando juntos éramos apenas dois.
Cartas que rasgadas faziam mais sentido.
Fomos imagens cinematográficas e fomos verdade.
Fomos verdade.
FOMOS SOL.

Fomos só uma hora.
Mas fomos mais nessa hora que qualquer um num século.
E fomos tanto…

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