Caminhava sozinho, assobiando uma música que não conhecia, quando a vi. Acenando às coisas com o corpo. Dançava a dança do mundo. Rodava sobre si própria, apoiada na ponta do pé, fazendo-se bailarina.
Caminhei até à esquina e encostei-me. Escondido para ver melhor. Braços cruzados sobre o peito, com medo que o coração me fugisse de tão depressa que batia.
Dançava, mais e mais. Sorrindo e rindo. Tinha uma luz imensa à sua volta que a tornavam ainda mais branca.
As pedras da rua fumegavam sob os seu pés descalços. Os seus braços elevados conduziam as mãos num espectáculo de pele e movimento. Ondulavam, ditando os movimentos do restante corpo.
Os cabelos numa cascata negra, pendiam-lhe sobre as costas. As roupas molhadas pela chuva tornavam-lhe as formas mais definidas.
Até que, sem parar, me olhou. Me fitou, como se soubesse que já lá estava há muito.
Caminhou até mim felinamente. Desafiando-me.
Tocou-me no peito, a constactar se ainda vivia. Deu uma volta sobre o meu corpo e parou diante dos meus olhos. Cegando-me com os dela.
Não sei quanto tempo ficámos assim: se dias, meses, anos...
De repente soltou-se de si mesma numa beijo. Que me feriu, queimou... Implodiu num corpo de espelhos, e depois... O nada. Nunca mais a encontrei.
Dela só sei Magia. De mim só sei Saudade.
2 comentários:
Olá Nádia. Gostei muito desta história. Tens uma escrita muito iconográfica. Quase que vemos as coisas acontecerem diante dos nossos olhos. Parabéns.
De facto um texto muito poetico...
Uma história linda que acontece mesmo à frente dos nossos olhos...
PARABÉNS!!
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